Corpos e a estranha (ou melhor, peculiar) poesia que emanam deles.
Movimentos e relatos pessoais em terras estrangeiras, melancolia
iminente, dançar para esquecer dela.
Dois filmes de João César Monteiro revistos após quase dois anos em que tive meu primeiro contato com eles. É curioso notar o quão diferente eles ressoam em mim agora, após esses anos. À flor do mar é um filme de redescobrimento, de viagens, do americano ao português, do cinema à literatura, todo um trajeto para falar do que move as pessoas e a arte em geral: sentimentos. Do estranho que inquieta, no fim, mais um fantasma ao mar, levando consigo a felicidade fadada que deixou com aqueles que ainda estão sobre terra. O Último Mergulho também é um filme sobre cinema (e Rossellini). Aqui o amarela banha tudo, seja o sol, o cabelo loiro de Esperança, as flores ou as lâmpadas que iluminam a espécime de renascimento de Samuel (enquanto em À flor do mar, o azul se mostra presente em cada frame, como se fosse alegria e tristeza, passado e presente, morte e vida). São dois filmes sobre milagres, um, fadado a melancolia, e o outro, prazeroso, duas ressurreições ("mas tu estás morta" ...
Em Fassbinder, opera a lei do dominante, seja pelo sexo, dinheiro ou amor. E os que não se encontram em tal posto, estão condenados ao sofrimento. Não há salvação. Até os seus personagens parecem ter ideia de sua predestinação ao fracasso, mas ainda assim lutam, até que não sobre mais nada. O amor realmente é mais frio que a morte, como prova, ele nos deu Petra von Kant, Peter, Elvir/Elvira e Fox, personagens fictícios e ainda assim tão reais quanto qualquer pessoa na rua. Se não é pelo dinheiro que vem a queda, é pelo amor. O orgulho se vai antes da queda, já anunciava o Precauções Diante de Uma Prostituta Santa (ou depois, no caso de As Lágrimas Amargas de Petra von Kant ). Tentar comprar o amor, como tentaram miseravelmente Peter, Petra von Kant e Fox, resultando em amargura e morte. De certa forma, essa predestinação ao fracasso vem do histórico da Alemanha, resultando em uma espécime de nova geração amaldiçoada (tema que reverbera ainda mais em algumas de suas últimas o...
"The stuff that dreams are made of." Maltese Falcon (1941) Toda vez que vou me adereçar a este filme fico um tanto desnorteado, afinal, como falar de uma obra tão grandiosa ao ponto de ser daqueles raros filmes no qual se pode chamar de 'maior que a vida'? Qualquer tentativa de falar sobre ele se torna quase que automaticamente falha, pois é um filme que lida com algo que é difícil de descrever em palavras: sentimentos, sobretudo o amor, chave mestra nos filmes de Demy, que guia seus personagens para a mais bela alegria ou a decepção mais amarga. Como havia feito com seus filmes anteriores, Demy leva o amor não para Paris,(como já diria uma personagem do filme: pequena demais para aqueles que tem um grande amor) mas para outras cidades francesas, outros casos, novos amores e desilusões. Os caminhões e os feirantes entram ainda de manhã na cidade, trazendo com eles a alegria e os affairs que podem proporcionar. Na mesma estrada, soldados caminham em sentido...
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